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Nooma?!?!

Publicado: 27/02/2009 por Paulo Medeiros em Bla Bla Blas
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nooma_logoInteressante como são as coisas, sinceramente não acredito em acasos, portanto, tudo tem o seu porque mesmo que oculto aos meus olhos, o porquê existe.

Nesse carnaval, como disse no post anterior, fui para um retiro, ter alguns momentos de reflexão e intimidade com Deus e logo na noite de inicio do retiro nos foi passado um vídeo por indicação do nosso amigo DVDFranco, que por sinal esta em divida com nossos posts aqui mas, tudo bem ele tem trabalhado bastante em outro projeto. Mas retornando ao foco do post de hoje, foi passado esse vídeo e eu de certa forma fiquei instigado em conhecer mais do trabalho do tal de Rob Bell que protagoniza este e vários outros da serie Nooma. E encontrei gente amando o trabalho dele e também encontrei gente questionando seus fundamentos. Bons, nessa busca acabei tropeçando num texto publicado no Renovatio Cafe e incrivelmente o texto do Sandro Bagio de 28 de outubro de 2008 descreveu exatamente o que estava refletindo em minha cabeça “Como acredito ser o caso da maioria das pessoas, eu conheci o Rob Bell através de um episódio do Nooma (no meu caso foi o Luggage que eu assisti primeiro e fiquei perguntando: Quem é esse cara!?).[…] Evidentemente não concordo com tudo o que ele diz ou escreve, mas isso é algo natural. O conselho de Paulo é examinar tudo e reter o que é bom…” no meu caso foi o episodio Rain. Alem desse “acaso” de afinidade de pensamento, já q eu estava pensando exatamente em reter o que era bom e ignorar o que a maioria e, algumas coisas eu mesmo reprovava, me deparei logo abaixo do post do Sandro Bagio uma transcrição de um trecho do livro Repintando a Igreja do Rob Bell que eu gostei muito e achei que seria legal postar também.

robbell_peacmakers1“No que diz respeito a ter fé, todo mundo tem. As pessoas quase sempre me dizem que nunca conseguiram ter fé, que isso é muito difícil. A idéia de que algumas pessoas têm fé e outras não têm é muito comum. Mas não é verdadeira. Todo mundo tem fé. Todos seguem alguém. O que em geral acontece é que as pessoas com convicções específicas acerca de Deus acabam encurraladas, defendendo sua fé da racionalidade calma e apática dos outros. Como se apenas elas tivessem fé e convicções, as outras, não.


Isso, porém, não é verdade. Vamos pegar um exemplo: Algumas pessoas acreditam que fomos feitos por um criador, que tem planos e objetivos para sua criação, enquanto outras acreditam que não há nenhum sentido extraordinário para a vida, nenhum grande projeto, que nós existimos não por causa de alguma intenção divina, mas por simples acaso. Não se trata de uma discussão entre pessoas de fé e pessoas que não têm fé. As duas perspectivas baseiam-se na fé, fundamentando-se em um sistema de crenças. Quem diz que estamos aqui por acaso e não há nenhum sentido especial nisso tem exatamente o mesmo tanto de convicções que a pessoa que afirma a existência de um criador. Talvez até mais.


Pense em algumas palavras empregadas nesse tipo de discussão. Entre elas, a mais comum é a expressão ‘mente aberta’. Em geral, o que tem convicções espirituais é considerado alguém de mente fechada; os outros são vistos como pessoas de mente aberta. O que me fascina é o fato de que o centro da fé cristã é a premissa de que esta vida não é tudo o que existe. Que a vida é mais do que a matéria. A existência não se limita ao que vemos, tocamos, medimos, ouvimos, degustamos e observamos. Uma das principais afirmativas da visão de mundo cristã é que existe ‘mais’. Os que se opõem a esse conceito insistem em que o que vemos aqui é tudo o que há; somente o que se pode medir e observar com os sentidos é real. Nada mais existe. Qual dessas opiniões revela mais uma ‘mente fechada’? Qual visão de mundo é mais ‘aberta’?

O ateu é alguém com tremenda fé. Em nossas discussões acerca das coisas que mais importam, não nos detemos na fé ou na ausência dela. Crença ou não-crença. Estamos falando acerca de fé em algo. Crença em quê? A verdadeira questão não é se temos ou não temos fé, mas em que nós a depositamos.
Todos seguem alguém. Todos nós tomamos decisões todos os dias acerca do que é importante, de como tratar as pessoas e do que fazer da nossa vida. Essas decisões têm como pano de fundo o que acreditamos acerca de cada um dos aspectos de nossa existência. Nossas convicções têm origem em algum lugar. Fomos moldados, todos nós, por essa complicada combinação de pessoas, lugares e coisas. Pais e mestres, artistas, cientistas, orientadores – cada um de nós recebe todas essas influências e vive de acordo com os princípios de que se apropriou. Alguns insistem em dizer que não são influenciados por ninguém, nenhuma religião, pensam por si mesmos. É uma opinião digna de respeito. O problema é que essa opinião vem… de alguém. Eles seguem alguém apesar de afirmarem que é a eles próprios que estão seguindo.

Todo mundo segue alguém. Todo mundo tem fé em algo e em alguém.

Somos todos crentes.”


(Rob Bell em Repintando a Igreja: Uma Visão Contemporânea, Editora Vida, 2008 – pp. 19-21)

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