Lá e de volta outra vez – Vinhedo a Vila Velha

Publicado: 09/01/2015 por Paulo Medeiros em Viagem

DSC_0359Por volta de 70km, era isso que faltava percorrer para chegar em Santo Antonio de Pádua. Pra quem já tinha percorrido mais de 500km o que era mais 70?

Bons, era coisa pra caramba. A principio achei que rapidamente chegaria na cidade talvez com o sol se pondo mas a região é cercada de montanhas e diferente do que eu previa, umas 7 hs já estava ficando escuro e o cansaço estava batendo forte desde Alem Paraíba, talvez pela ideia de que eu já poderia estar descansando no hotel.

DSC_0356A noite caiu e eu notei outro problema , a numeração da quilometragem na estrada estava diminuindo indicando o fim dela e quando acabasse eu imaginava já estar em Santo Antonio de Pádua, pois ela acabou, a estrada continuou com outra numeração e nada da cidade… Foi então que passei por uma banquinha de venda de água de coco resolvi voltar e me hidratar um pouco foi então que notei uma Yamaha R6 parada na banca. Parei, pedi a água de coco, e logo os que estavam na rodinha de amigos tomando uma cerveja notaram meu sotaque. Depois de um breve relato de onde eu vinha pra onde eu ia o rapaz da R6 me diz:

– Rapaz, você vai pra Pádua? Eu moro em Pádua! te levo ate lá, já tem onde ficar?
– Olha eu vou ficar no Hotel Bzzz e de manhã sigo pra Vila Velha-ES.
– Ótimo, te mostro onde você vai pegar o caminho mais curto pra seguir amanha e depois te levo ate o hotel.

DSC_0426E assim foi, terminei de tomar minha água de coco e segui o anjo de 2 rodas que Deus colocou no meu caminho. Sinceramente vi como uma provisão divina mesmo, pois eu já estava cansado, não tinha mais certeza de estar no caminho certo já era de noite e me virar no meio do nada não era algo previsto nessa viagem.

Em Pádua ainda tive oportunidade jantar no hotel com a refeição inclusa na diária o que não estava esperando, logo foi um tempo de repouso, um bom banho e renovar forças pro dia seguinte. A exaustão do meu corpo me preocupava se eu conseguiria seguir numa boa no dia seguinte.

ADSC_0435manheceu, peguei a viola, botei na sacola e fui viajar… bons quase isso, com o erro do dia anterior resolvi aproveitar bem o café da manha, faltavam uns 300km ainda porem minha anfitriã também não estava em Vila Velha ainda, estava em Macaé – RJ a trabalho e seguiria de carro pra Vila Velha, logo eu não tinha pressa em sair, pois ela precisava chegar primeiro. Conversamos um pouco enquanto eu estava no hotel com sinal de celular e internet e ajustamos nossas saídas pra que desse tudo certo.

Saindo de Pádua meu receio quanto a capacidade de ficar horas na moto se foi, o corpo parece que se acostumou a maratona e novamente me via em condições de passar o dia todo na moto. Sai umas 10hs e depois de uns 15 minutos rodando na estrada parei. Parei e agradeci a Deus pelo anjo da noite anterior, a estrada era péssima pra uma viagem de carro ou caminhões, a pista em diversos trechos estava com o caminho dos pneus dos carros tudo detonado, porem a trilha entre os pneus era ótima e dava pra seguir de moto tranquilo, mas foi a beleza do caminho que me alegrou o coraçãoDSC_0339, uma estrada que qualquer motoqueiro iria amar, cheia de curvas, uma paisagem belíssima, diversos trechos onde arvores plantadas ao redor da estrada formavam um túnel verde sobre a estrada. Quase não havia transito(acredito que pelas condições do inicio da estrada) mas em outros trechos da estrada ela estava sendo recapeada e assim tinha bons quilômetros de asfalto novinho em folha.

DSC_0346A estrada levava ate próximo de Bom Jesus do Norte, em um trevo onde podia se pegar a BR101 e seguir direto pra Vila Velha. Durante uns bons 80km incluindo a estradinha de Pádua e a BR101  não havia nada de sinal de celular então só por volta das 13:30 que consegui voltar a conversar com a Caren, ela estava na minha frente na BR101 uns 70 km aproximadamente ai ela me indicou de sair da BR101 em Guarapari e seguir para Vila Velha pela Rodovia do Sol e assim foi, entrei em Guarapari passei direto a entrada da Rodovia do Sol, me perdi em Guarapari depois de umas instruções de um senhor simpático encontrei a rodovia e segui ate Vila Velha a estrada recebia muito vento lateral o que deixava a moto balançando muito e  depois descobri que isso é uma constante ali o vento é constante dia e noite.

 

DSC_0355Finalmente cheguei em Vila Velha! Depois de mais de 900km percorridos! essa foi minha primeira sensação de vitória e superação dessa viagem!

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…e passou o final de semana, me diverti muito com a Caren, mas… não vou dar detalhes, porque o objetivo desses posts é falar da viagem com a moto!

Na segunda feira, levei a Cléo na concessionaria da Honda que ficava a dois quarteirões do prédio onde a Caren mora, para ajustar e lubrificar a corrente, já que chegando em Vila Velha ela começou a dar umas pequenas escapadas. E na terça as 7 da manha eu sai de Vila Velha com um desejo maluco… voltar direto pra casa sem pernoitar em lugar nenhum! E com esse desejo eu vim embora passando por todos aqueles lugares lindos outra vez mas agora sem parar pra fotinhas ou videozinhos eu tinha uma coisa em mente chegar na Dutra antes do anoitecer e uma vez nela conseguiria chegar em casa sem problemas.

E assim fui, determinado, parando pouco, apenas pra abastecer alongar e seguir, estava impressionado com a condição do meu corpo, ele estava completamente condicionado a fazer grandes percursos sem parar. Em um abastecimento e outro eu comi algum lanche e bebi bastante suco natural pra hidratar já que, assim como na ida, na volta também não houve um pingo de chuva e muito calor.

Cheguei na Dutra umas 16:30 / 17:00 hs parei em um posto pra abastecer e decidi, vou mesmo chegar em casa hoje! Chegando novamente em Taubaté fiz questão de parar no bendito Frango Assado que procurei que nem tonto na ida, mas nunca ia acha-lo olhando pro lado errado da pista, porque ele estava na volta. Dei uma boa lanchada de janta, pois ali seria minha ultima parada ate em casa. Fiz um bom tempo de descanso, já era de noite e o corpo estava cobrando de novo.

Sai, passei São José, Jacareí, Dom Pedro…. a sensação de estar em casa me tomou conta quando entrei nessa estrada, ainda faltava um bom chão pra eu chegar em casa definitivamente, mas na minha mente eu estava iludido pela máxima mineira, minha casa é logo ali! É pertim! Em Itatiba peguei novamente o caminho cheio de lombadas o que meu corpo resmungava a passagem de cada uma delas e finalmente cheguei em Vinhedo!

Eu queria explodir em êxtase!!! Eu tinha vencido novamente!!! Eu era o Cavaleiro que tinha ido em busca de aventuras, que tinha derrotado os monstros, libertado a princesa e retornado ao meu castelo!!! Me meu corpo estava moído, mas meu espírito vibrava com todas as forças! Quis chegar gritando buzinando em casa … mas ai eu vi o relógio 23:30 … é meus vizinhos não ficariam tão felizes quanto eu, então guardei a festa para mim mesmo, pois era isso que ela era. Uma realização própria, uma superação e eu já estava muito feliz por tudo isso.

Mais tarde depois de um banho antes de desabar na cama um pensamento… Deserto do Atacama …sim eu posso fazer essa viagem, eu consigo!DSC_0437

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