Confiar!

Publicado: 26/03/2009 por dvdfranco em Reflexões

De férias numa belíssima ilha na costa brasileira (desculpem-me), posso dar-me ao luxo de algumas atividades bastante cobiçadas, daquelas que podemos usufruir uma, duas ou poucas vezes numa vida só. Aqui tive a oportunidade de pescar com meu pai. Não pescar com uma vara e linha, sentados e lutando contra mosquitos na beira de um lago, mas sim pescar, a alguns quilômetros mar afora, com nada além de água e um barquinho em todas as direções, equipado com máscara no rosto e um arpão armado no arbalete.

Pescar é fascinante, mas não é para qualquer um. Para mim é que não é. Quero te contar minha experiência com o mergulho.

Minha primeira sensação foi a de insegurança. Numa pequena lancha, a muitos e muitos quilômetros do continente, você se sente um pouco pequeno ante a imensidão do mar. É muita água, para todos os lados. Água que não acaba mais. Passou bem ao nosso lado, um transatlântico prestes a aportar. Era imenso, mais de oito andares de altura, e estando tão perto, parecia um prédio em movimento. E, quando estava no continente, lá longe, o prédio colossal com centenas de pessoas dentro, era nada menos que um brinquedinho na distância. Espero estar sendo claro quanto a sensação de solidão e distância que se tem nesta ocasião. Por isto, vestir uma máscara e pular num oceano cujo fundo é desconhecido para você, bem… é um pouco difícil. Mas meu pai garantiu (em mergulhos anteriores) que estou seguro, e eu poderia voltar ao barco a qualquer hora.

Então, controlei meus medos, e pulei. A segunda sensação foi o pânico.
À sua frente, um líquido esverdeado, lindo e indistinto. Muitas partículas suspensas, como poeira, emprestam à luz do sol uma personalidade única dentro d’água, descendo em raios paralelos às profundezas do mundo.
Mas, quando você olha ao redor, continua tudo igual. Atrás, aos lados, à frente… tudo, uma visão turva do desconhecido, e esmagadora imensidão. Se você olha para baixo, vê seu corpo iluminado pelo reflexo do sol, contra o mesmo plano de fundo opressor. Pânico, acho que é a palavra certa, ainda que “não haja nada lá” além de você.

Esta mistura de sensações atingiu-me com ímpeto (afinal, pulei do barco de uma vez só), e imediatamente, percebi a velocidade com que respirava pela boca através do respirador, puxando golfadas de ar movidas à adrenalina. E isto causou-me a terceira sensação: tontura. Controlar a respiração foi difícil e doloroso. O excesso de ar nos pulmões só me fazia respirar e inspirar com mais força ainda.

Então, algum tempo depois me acostumei ao novo ambiente, apegando-me cada vez mais na segurança de meu pai, que o tempo todo esteve por perto, tranquilo em seu habitat preferido.

Contei-lhe esta experiência por estas razões: as primeiras vezes que mergulhei com meu pai, caí na água e logo voltei para o barco. Fiz isso repetidamente, devido à sensação de pânico. Nos mergulhos seguintes, fui ficando mais tempo n’água, e desta vez só subi ao barco quando fiquei cansado ou enjoado demais. Foi um progresso, e o que me fez progredir, foi a segurança de meu pai.
O relacionamento com ele possibilitou-me confiar que estou seguro quando estou no mar. E esta segurança me possibilitou-me passar um tempo de qualidade com ele. Eu boiava a seu lado, nós dois olhando para o fundo do oceano, respirando pelo snorkel, e logo que ele descia ao fundo, eu ia junto, até onde conseguia e esperava-o voltar com um peixe na mão. Foi um momento familiar que ficará para sempre nas minhas lembranças.

Afinal, tudo na vida se resume a relacionamentos, não é?
Desde o começo do ano, tenho aprendido a viver centralizando tudo em relacionamentos, e desde que comecei a fazer isso, tenho estado em grande paz comigo mesmo.
Quando digo viver em relacionamentos, quero dizer lembrar-se você está sempre relacionando-se com alguém ao fazer qualquer coisa. Em casa, relaciona-se com sua família, no trabalho, com seus colegas, sozinho, relaciona-se com seu Deus. São pessoas com as quais você convive, e suas ações sempre afetam-nas, de uma maneira ou de outra. Então, procuro pensar em sempre agradá-las, e deixar meu egoísmo de lado.

Viver sem ter eu mesmo no centro de minha vida, é simples e gratificante. Quando vejo um grande amigo, penso logo em, carinhosamente, dar-lhe um tapa na nuca e dizer “fala, mané”. Certamente, ele vai levar na brincadeira… mas, pensando bem, será que eu não o faria se sentir muito melhor se eu lhe desse um abraço apertado e disesse “fala, meu melhor amigo”? Já pensou em como ele ficará surpreso e contente ante este agrado?
E lavar a louça para sua mãe, ou varrer a calçada do vizinho?
Entende o que quero dizer?

Mas este tipo de atitude não é apenas para “agradar” os outros ou a si mesmo, e sim abrir caminhos para um relacionamento mais concreto do que já é. Preocupar-se com os que estão ao seu redor, limitar-se para relacionar-se com eles, deixar de lado as ganâncias, as pequenas mentirinhas, e saber entregar-se ou abrir-se quando necessário: ao abrir mão de quem você é e do que você quer/precisa pensando em outra pessoa, você abre uma oportunidade de aumentar seu relacionamento com ela.
E fazendo isto, aos poucos você começa a ceder com mais facilidade, a respeitar e ser respeitado. Os segredos ficam para trás, as intrigas desaparecem, e disto nasce uma coisa que você está tentando há muito tempo, e não sabe porque não consegue: a confiança.

A confiança é um processo difícil e arrastado, mas é possível. E este é o único modo pelo qual você pode chegar a ela, que é construindo um círculo sólido de relacionamento e respeito. Você começa devagar, passo a passo, gesto por gesto, conquistando pedacinhos de um relacionamento verdadeiro e puro, até chegar na confiança verdadeira, aquela da qual você não duvida, e com aquela pessoa que a partir daí, você pode ter certeza inabalável de que ela nunca vai te deixar na mão.
Aos poucos, a insegurança, o pânico e a tontura de pular no mar desconhecido, duram cada vez menos, conforme você confia e se entrega mais e mais.

Neste ramo de relacionamentos, minha maior dificuldade é ter confiança em Deus. Já errei muito, já tomei muitos caminhos errados e egocêntricos, e por isso já levei muito tombo, por conta de não conseguir ouvir Deus e nem confiar no caminho que Ele tinha planejado para mim.
E tem sido através desta atitude nova que estou tendo sucesso em aprimorar meu relacionamento com Deus. Tem sido incrível e gratificante, e é maravilhado que observo o desenrolar do meu dia-a-dia com Ele.
Foi assim que eu comecei a perguntar-me, a cada decisão tomada, “será que isso está conforme o que Ele quer para mim? Será que Deus gostaria que eu fizesse isto, ou será que eu O agradaria mais se fizesse outra coisa?”.

No final das contas, ter amizade, e além disso, intimidade com Deus… é o que Ele queria desde a criação do homem, não é? Afinal, é disso que a Bíblia inteira trata, da primeira à última página: Relacionar-se com Deus. E conseguir alcançar isto, ah!
Estava pensando, ao voltar para casa depois de um banho de mar: “Eu trocaria qualquer coisa – qualquer coisa mesmo, por viver na presença de um Deus tão completo como este!”

Imagem do livro A CabanaNestas férias, li o livro “A Cabana”, de Willian P. Young.
Aprendi muita coisa relacionada a este assunto, muita mesmo. É aquele tipo de livro que te deixa pensativo por um tempão, afetado pelos ensinamentos que leu, e sentindo-se bem por começar a praticar os mesmos princípios.
O romance/ficção fala de um homem que sofreu uma perda horrível em sua vida, e como ele aprendeu a deixar de culpar Deus e o mundo por seu sofrimento. Este livro mostra onde está Deus quando alguma tragédia acontece e ficamos pensando: humpf, se Ele se importa tanto, porquê não impediu aquilo?
Recomendo a leitura, de verdade! Ele resume muita coisa que tenho vivido deste o começo do ano e escrevi nestes longos parágrafos!

Bem, é isso! Um abraço e até a próxima!
dvd Franco

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comentários
  1. Simple man disse:

    Finalmente um Post DVD!!!

    Apesar da inveja consumindo meu ser hehehehe sim gostei mto do seu post e suas reflexoes, acho que experiencias assim marcam mto nossa vida e nos ensina a valorizar não somente o momento mas todo o aprendizado que levamos pro resto de nossas vidas.

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